domingo, 3 de maio de 2015

REFLEXÃO DO DIA

Os dois palanques da polarização política no Brasil

Do Editorial do Portal Vermelho


Os dois principais palanques das comemorações do 1º de Maio no Brasil são o reflexo da polarização política real da sociedade brasileira hoje. O mesmo pode dizer-se das mensagens transmitidas pelas principais lideranças, a começar pela presidenta Dilma Rousseff.

A mandatária reafirmou, por meio de vídeos difundidos nas redes sociais e em páginas da Presidência da República na internet, que está "do lado do interesse dos trabalhadores e trabalhadoras deste País". Destacou as conquistas dos trabalhadores nos últimos 13 anos, nomeadamente a valorização do salário mínimo, "uma das maiores conquistas desse período". Dilma defendeu os trabalhadores terceirizados e combateu a generalização do trabalho terceirizado às atividades-fim. Reiterando o caráter democrático do seu governo, a mandatária condenou os que tratam as manifestações dos trabalhadores com violência e repressão, em clara alusão ao governador do Paraná Beto Richa (PSDB), cuja polícia estadual reprimiu violentamente manifestação dos professores grevistas. 

O Brasil necessita mais do que nunca da unidade entre as forças progressistas para lutar pela governabilidade e pelas mudanças estruturais que vão transformá-lo num país democrático, avançado, próspero e socialmente justo. Isto, entretanto, não se confunde com união nacional, conciliação entre forças antípodas, nem cedência às pressões e chantagens do inimigo, como as manifestações do 1º de Maio deixaram bem claro.

No palanque da Força Sindical reuniu-se a frente das forças conservadoras, de direita, neoliberais e entreguistas, representadas pelos mais diferentes tipos, entre eles um deputado ex-sindicalista que, não tendo o que dizer, tomou a palavra para enxovalhar e ofender a honra da principal mandatária do país. A mensagem que deixaram foi a do golpe, do retrocesso das conquistas democráticas e sociais e o aviso de que estão arregimentando forças para tentar derrubar o governo. Na cúpula deste agrupamento – que ninguém se engane – situa-se o PSDB, tendo à frente seu presidente e candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais, Aécio Neves. Como é próprio em momentos como o que o país está vivendo, emerge também a figura soturna, ameaçadora e provocadora do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, arauto do reacionarismo e patrocinador de uma pauta de retrocessos em toda a linha a partir do poder de mando que detém no Legislativo.

Do lado de cá da trincheira, num empenho de aglutinação, acumulação de forças e formação de convicções, reuniram-se os partidos de esquerda, as centrais sindicais combativas e classistas e demais organizações do movimento social, sob a liderança de Lula, que deu o recado fundamental. “Vou desafiar aqueles que não se conformaram com o resultado da democracia” (...) Eles têm que saber que se tentarem derrubar a Dilma vão mexer com milhões de brasileiros trabalhadores”, disse o ex-presidente, que reafirmou não só seu engajamento na luta pela governabilidade como expressou a convicção de que até o final de seu mandato Dilma obterá êxitos na realização do programa democrático e de progresso social. 

A polarização observada neste 1º de Maio é reveladora do nível do embate político no país, que precisa ser enfrentado com organização, consciência e unidade por parte dos partidos de esquerda e entidades do movimento popular.


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