quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Mercado celebra julgamento porque quer manter políticas contra o povo



  
Enquanto o segundo desembargador se pronunciava sobre o recurso do ex-presidente, que buscava reverter a sentença que o condenou a nove anos e meio de prisão, por volta das 16h, a moeda norte-americana se desvalorizava 1,77% e era vendido a R$ 3,181. A bolsa operava em alta de mais de 2%.

O Ibovespa chegou a bater recordes, à medida que aumentavam as apostas na condenação do ex-presidente. Era a primeira vez na história que o índice passava dos 82 mil pontos. O mercado estava “animado”, de “bom humor”, diziam os veículos de comunicação, sem explicar ao certo de que mercado estava falando. 

Do mercado de trabalho e do mercado produtivo não era. Falavam da elite do financismo, essa que em geral não produz, não emprega, mas ganha muito, muito dinheiro. E lucra muito em cima de especulações.

Este seleto grupo estava a torcer pelo 3x0 contra Lula, foram informados os leitores, ainda antes de o julgamento começar. Não era de se esperar o contrário – isso não escreveram os colegas jornalistas. A condenação, afinal, facilita a investida desse todo poderoso, o Deus-mercado, sobre o Estado brasileiro. 

Considerar Lula culpado é um entrave à sua participação nas eleições presidenciais e pode mesmo ter impacto sobre as demais candidaturas à esquerda. E, ao tal mercado, interessa afastar qualquer possibilidade de retomada do projeto popular e inclusivo que estava em curso antes do impeachment da presidenta Dilma Rousseff. 

Para esses poucos que têm influência sobre a bolsa, é preciso garantir a manutenção das medidas neoliberais levadas adiante por Michel Temer e sua equipe. A eles, importa apenas assegurar a maior fatia do Orçamento para o pagamento de juros da dívida pública, às custas do corte de direitos e de despesas com programas sociais. 

A agenda que o “mercado” celebra inclui eliminar leis trabalhistas que protegem o povo, para garantir mais lucros a patrões;  desidratar a Previdência, para economizar recursos que encherão seus próprios bolsos; e privatizar "tudo o que for possível". O julgamento, aliás, tinha lugar enquanto Temer circulava no Fórum Econômico Mundial, em Davos, justamente em busca de legitimar este programa - bem oposto a uma plataforma da esquerda.

A “euforia” na bolsa em nada tem a ver com reduzir o desemprego, aumentar a renda do trabalhador e combater desigualdades sociais, por exemplo. Pelo contrário. Os resultados positivos que só a banca e seus súditos enxergam na atual política econômica só têm significado penúria para a maior parte da população brasileira. 

Supervalorizar a animação dos representantes dessa fração, portanto, é achar que as vontades de um punhado de financistas pode ser mais importante que a experiência concreta e os anseios de milhões de eleitores.


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