quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

NOSSO ANTIGO COLONIZADOR VIROU COLONIZADO? VEJA NESTA ENTREVISTA SIMULADA POR DEDÉ RODRIGUES.

CGTP: Portugal é hoje um país sob ocupação estrangeira


O secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (CGTP-IN), Manuel Carvalho da Silva, avalia como uma poderosa demonstração de unidade e força dos movimentos sindical e social a recente greve geral que paralisou o país no dia 24 de novembro contra “o criminoso retrocesso social e civilizacional imposto pela submissão ao receituário neoliberal da troika (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e União Europeia)”.


COMO ISTO ESTÁ ACONTECENDO?



Na prática, esclareceu Manuel, está em curso “um criminoso processo de agiotagem e roubo para o sistema financeiro aumentar sua riqueza”. “São juros impagáveis, impostos aos países que estão debaixo dos insustentáveis ‘pactos de austeridade’. A Grécia já disse que não vai ter condições de pagar, pois é uma verdadeira loucura, uma irracionalidade o que está sendo cobrado. A mesma coisa vai ocorrer em Portugal. Mesmo sabendo que são juros impagáveis, o que os bancos querem é postergar esta situação, nem que seja por mais alguns meses, dias ou horas. Querem prolongar o que for possível o seu sistema de expropriação, que é um assalto para além do que já roubaram. Este é o sistema internacional de agiotagem que está minando a Europa”.

DE QUAL LADO ESTÁ MÍDIA EM PORTUGAL?



Na queda de braço com o governo, a mídia tomou lado... contra os trabalhadores, obviamente. “Os grandes conglomerados, já que é disso que se trata, estão todo o tempo mentindo, inculcando nas mentes a posição dos seus donos, que é a dos seus anunciantes. No seu trabalho contínuo de dizer que não há alternativa, utilizam-se de comentaristas e analistas para reforçar sua posição, repetindo à exaustão que só há um caminho, que o arrocho é inevitável, que não há saída. Querem que as pessoas se isolem no seu sofrimento e percam qualquer perspectiva de ação coletiva, de mobilização por mudança. A mídia é hoje o grande instrumento de manipulação utilizado pelo sistema financeiro para combater os movimentos sindical e social. Assim, enquanto qualquer análise séria, seja do ponto de vista social, político, econômico, cultural ou antropológico coloca o neoliberalismo como derrotado, do ponto de vista prático esse sistema tem ao seu lado os meios de comunicação para fazer uma ofensiva pela submissão dos povos. É um crime convencer o jovem da inevitabilidade de que seu futuro será pior do que foi a vida dos seus pais e avós”.

QUAIS SÃO AS PERDAS PARA OS TRABALHADORES?


Manuel lembra que pela proposta dos especuladores, haverá um arrocho médio de 30% nos ganhos dos servidores públicos. “Querem a eliminação do subsídio de Natal [o equivalente ao nosso 13º salário] e do subsídio de Férias [um salário integral], aumentar impostos, acabar com a evolução das carreiras e da atualização salarial. Há aposentados que sofreriam um arrocho tão grande quanto o dos servidores, recebendo menos quando mais precisam. Já neste mês de dezembro anunciaram o corte de 50% do subsídio de Natal, tanto dos trabalhadores do setor público quando dos da iniciativa privada. Para completar, querem ainda aumentar a jornada de trabalho em duas horas e meia por semana, meia hora diária. Neste momento, há uma ofensiva contra os benefícios, que em nosso país representam cerca de 25% dos salários”.

CONCLUA O TEMA DIZENDO O QUE OS TRABALHADORES DEVEM FAZER.



Entre as propostas dos movimentos sociais portugueses, o dirigente da CGTP destacou como fundamental a defesa do emprego, que “deve ser o trabalho com direitos, útil à produção material da sociedade, não para enriquecer alguns”. “Para nós, o salário deve ser parte da riqueza produzida. Combatemos a precariedade e a insegurança e o aumento da jornada de trabalho, pois o tempo é o bem social mais precioso depois da saúde. Também defendemos a garantia do contrato coletivo, instituído na metade do século 20, pois representa uma relação de equilíbrio contra o cardápio de imposições do capital. O segundo campo é a agenda social e política, que é o que dá a centralidade e amplia o leque de alianças, articulando o conjunto dos movimentos. No nosso entendimento, a crise capitalista é sistêmica: financeira, econômica, política, institucional, energética, ambiental e ecológica. Neste sentido também é preciso desconstruir conceitos que foram apropriados pelo neoliberalismo”, concluiu o dirigente português.

Fonte: CUT
Para ler na íntegra. http://www.portalvermelho.com.br/

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