segunda-feira, 20 de março de 2017

Melenchon quer Constituinte, revolução cidadã e refundar a República



Foto: Jean-Christophe Verhaegen/AFP
  
A manifestação, que começou com uma passeata entre as históricas praças da Bastilha e da República, em Paris, confirma o sucesso da campanha eleitoral da coalizão denominada “França insubmissa”. Um ambiente festivo e de luta, em que o candidato, os comunistas e um público vibrante defenderam a refundação da República francesa.

“Eu sabia que vocês viriam, sabia que é inesgotável a onda que nos traz, geração após geração, da Bastilha à República”, disse Melenchon. Ele lembrou que sua candidatura se inscreve no “fio vermelho” das lutas históricas e sociais do país. Declarando-se herdeiro de 1789, Melenchon endossou o papel de porta-voz da “humanidade humilhada, dos afogados do Mediterrâneo, dos suicidas no trabalho, dos mortos no abandono das ruas, de todos os que sofrem neste mundo nojento, onde a acumulação de uns se nutre da aflição de outros”. “Somos sua revanche, seu sorriso, sua dignidade intacta e a esperança de dias melhores”, afirmou, para depois se dirigir às classes dominantes: “Poderosos da terra, estamos aqui, estamos de novo encontrando-nos com a história no dia do aniversário da gloriosa Comuna de Paris, que inventou a República social”.

Neste 18 de março, nesta praça para onde os cidadãos convergiram após os atentados de 2015, depois contra a lei do trabalho com o movimento “Noite de pé”, o candidato da França insubmissa apoiado pelo Partido Comunista Francês insistiu: “Nós não estamos aqui por um personagem, mas por um programa”. A primeira medida do programa “O futuro em comum” é justamente propor a fundação da 6ª República através de uma Constituinte que porá abaixo a monarquia presidencial”.

Denunciando a “violência incrível” que foi perpetrada contra os franceses com os tratados europeus, o candidato assumiu um compromisso: “Se eleito, não assinarei o Ceta”, referindo-se ao tratado de livre comércio entre a União Europeia e o Canadá. Igualmente, Melenchon prometeu revogar as duas leis mais impopulares do quinquênio do governo de François Hollande, do Partido Socialista, e separar o Estado das finanças. “A nova Constituição deve ser antes de tudo social”, defendeu, propondo tornar “intocável” a hierarquia das normas. “Não se pode tolerar que seja editado um Código do Trabalho benéfico ás empresas, sob a ameaça de desemprego”, anunciando que vai garantir os direitos constitucionais dos trabalhadores, hoje servos das empresas”.

Finalizou condenando os “poderes monárquicos confiados ao chefe de Estado” e exortando o povo à “revolução cidadã, se vocês não querem sofrer um golpe de Estado étnico ou financeiro”.





Fonte: Resistência, com informações do L´Humanité. Tradução de José Reinaldo Carvalho,

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