terça-feira, 3 de junho de 2014

Serguei Duz: A encruzilhada da Síria acontece em 3 de junho

 

 

 

A segunda-feira é um “dia de silêncio” na Síria. Na terça-feira, o país irá eleger seu presidente. Na ótica de peritos, em última analise, existem duas opções – o atual dirigente Bashar al-Assad ou a Al-Qaida.

Por Serguei Duz*, na Voz da Rússia


Modelo da cédula de votação síria
A votação é marcada para o dia 3 de junho. O sufrágio será acompanhado por observadores parlamentares de 30 países amigáveis, incluindo por uma delegação de observadores russos.

Para além de Bashar al-Assad, o posto presidencial é disputado por políticos pouco conhecidos – o deputado comunista de Aleppo, Maher Abdel Hafez Hayar, e o empresário Hasan Abdallah Nuri, antigo ministro que encabeça o movimento Iniciativa Nacional pelas Reformas. O primeiro defende os interesses de trabalhadores afetados pela crise. O segundo, Nuri, tem apostado no combate à corrupção e ao apoio da classe média.


Segundo as previsões, o resultado das eleições é predeterminado, uma vez que cerca de 70% dos eleitores recenseados votarão por Bashar al-Assad. Os dois outros candidatos poderão obter, em conjunto, 15% dos votos. Joshua Landis, chefe do Centro de Pesquisas do Oriente Médio da Universidade de Oklahoma, comenta: “Bashar al-Assad, de fato, não tem concorrentes, visto que as presidenciais serão encaradas como uma consulta popular. De acordo com a Constituição, o partido governante tem direito de eleger o seu líder e o seu líder é Bashar al-Assad. Desta vez, se candidatam alguns oponentes que, se dizem 'contentes se Assad for vencedor'. As próximas eleições são uma tentativa do presidente de mostrar uma vez mais que ele está controlando a situação e que o Estado tem condições para realizar tal escrutínio. As presidenciais se realizam na altura em que cada vez mais cidadãos se vão desiludindo com a revolução que deixou de ser vista como alternativa a Bashar al-Assad”.

No parecer do analista político sírio, Mehdi Dakhlallah, as primeiras eleições presidenciais com a participação de vários candidatos serão um passo significativo rumo ao pluralismo democrático. A sua realização na data marcada significa a vitória da opção livre do povo sírio. Assim, para iniciativas futuras de Damasco é muito importante saber quantas pessoas irão votar pela candidatura de Bashar al-Assad.

O próprio presidente anunciou ontem que a Síria tinha vencido e neutralizado uma conspiração graças ao seu povo. Todavia, um dos seus oponentes, Maher Abdel Hafez Hayar, concorda em parte com tal opinião: “A Primavera árabe simboliza um verdadeiro movimento dos povos árabes. As pessoas tomaram as ruas com reivindicações legítimas, claras e fundamentadas. Infelizmente, as forças políticas internacionais utilizaram-na para alcançar seus objetivos interesseiros, tendo a encaminhado para um rumo diferente. Inicialmente, não houve planos de alguma conspiração”.

O político opina que um novo Chefe de Estado deve defender três prioridades: “Primeiro. Deve ser melhorada a situação social. Acho que a crise foi originada pela pobreza de algumas regiões e discriminação social. Vou lutar contra a pobreza por via de melhoramento de indicadores económicos e de segurança social de todas as camadas populacionais.

Segundo. É preciso reforçar o papel da Síria na arena internacional. O nosso país tem potencialidades enormes para a colaboração com o Brics e, antes de mais, com a Rússia e a China.

Terceiro. É necessário fortalecer o papel da Síria no mundo árabe. É preciso fazer com que na região não haja lugar para o despotismo. A Síria procura edificar um regime democrático, cabendo ao povo exercer a direção pública. Para consolidar a nossa posição no mundo árabe será mister reabilitar a economia nacional”.

Enquanto isso, as previsões optimistas se associam, de uma forma ou outra, ao nome de Bashar al-Assad.

Independentemente de suas características pessoais, convém reconhecer que, hoje em dia, ele é um único político capaz de tirar o país do impasse dramático em que se encontra, inclusive, por culpa do Ocidente que decidira apoiar a Primavera árabe sem levar em linha de conta as particularidades dessa região.

Seja como for, a maioria dos peritos sustenta que Síria está perante alternativa: ora o presidente manterá o seu posto, ora a al-Qaida tomará conta do poder e vencerá a guerra travada contra terroristas. As eleições constituem um momento oportuno para que o governo possa demonstrar quem é que controla a situação no país.

Fonte: Voz da Rússia


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