terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Renato Rabelo: Esquerda consequente deve estar preparada para 2015


“Resistir, mobilizar e interpretar devem ser as palavras de ordem para dar conta da atual conjuntura, que se mostra acirrada e de forte ataque conservador”, orientou Renato Rabelo, presidente nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), durante gravação do programa Palavra do Presidente.

Joanne Mota, da Rádio Vermelho 


 
 

Ao apresentar resumo da disputa em curso, Renato Rabelo alertou que entender a realidade é fundamental para defender o país de um golpe conservador. “Precisamos estar atentos às diversas tentativas de golpe em curso que buscam, objetivamente, desestabilizar o governo. Não nos furtaremos da crítica, não deixaremos de lutar por mais conquistas e nem, de junto com o governo, construir um país mais desenvolvido e menos desigual, mas temos ciência de quem é o nosso real inimigo”.

Ao enumerar as armas utilizadas pelo campo conservador, líder nacional do PCdoB foi imperativo, “a unidade das forças progressistas e a mobilização ampla do povo é o caminho para garantir a construção de um governo agente do desenvolvimento e da inclusão social”.

Ao citar a que ponto a direita conservadora pode chegar para impedir a continuidade do governo Dilma, Renato Rabelo criticou as últimas declarações de Fernando Henrique Cardoso. Em artigo publicado nesta primeira semana de fevereiro, o ideólogo tucano afirmou que desta vez os militares não devem ser mais os agentes da mudança – mas sim o Poder Judiciário. “Uma declaração aberta, uma tentativa clara de um golpe, através da Justiça, contra um governo eleito pelo povo. Veja a que ponto o cinismo da direita chegou”, disparou Renato. 

Ele ainda citou o artigo do jurista Ives Gandra da Silva Martins, publicado no Jornal Folha de S. Paulo, nesta terça-feira (3), no qual expõe uma ‘hipótese de culpa para o impeachment’. Renato alerta: “Esse movimento da direita não tem outro objeto senão tornar a disputa mais acirrada, blindar o verdadeiro inimigo e garantir as condições objetivas para volta do projeto conservador”.

Congresso Nacional

Ao comentar as eleições das Casas Legislativas (Câmara e Senado), o presidente nacional do PCdoB identificou alguns nós que precisarão ser desatados. 

Sobre o Senado, Renato destacou que, de alguma maneira, há uma convergência entre a Casa e o governo Dilma. No entanto, no caso Câmara Federal, o novo presidente eleito representa uma tendência extremamente conservadora e que deve deixar alerta o campo que luta pelas reformas estruturais e democráticas.

“A atual realidade da Câmara dos Deputados, eleita em 2014, convoca a todos e todas para o que está em jogo nessa luta. Estamos diante de um Congresso de maioria conservadora, com um líder conservador. Avançar nas mudanças e garantir as reformas estruturais só será possível com a clara interpretação da realidade, com pressão social e, sobretudo, com a unidade da esquerda consequente”, reafirmou.



Desse modo, complementa Renato, “a unidade das forças na atual conjuntura é central para barrar o avanço da onda conservadora e reacionária em curso. A história mostrou do que essa onda é capaz, o Brasil já mergulhou em mares escuros, com graves consequências para a nação e para seu povo. 
Somente tendo clareza do nosso real inimigo, garantiremos que o Brasil siga no rumo das mudanças”.

Canto da sereia

Indo além e desnudando a estratégia da direita conservadora, Renato Rabelo voltou a denunciar o papel da mídia conservadora e convocou a sociedade organizada para barrar esse monopólio. “Precisamos ter clareza do que está por trás do discurso no consórcio oposicionista [Sistema financeiro, mídia e as elites conservadoras]. Não podemos nos enganar, o segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff começa em um cenário bastante adverso, tanto do ponto de vista interno, como do ponto de vista externo”, esclareceu Renato.

O líder comunista ainda destacou que os fatores objetivos devem ser entendidos e traduzidos para as forças populares e progressistas para que, assim, possamos fertilizar as condições subjetivas que balizarão a luta. 

“A disputa em curso e o seu acirramento teve grande impulsão nas eleições de 2014. O resultado alcançado por Dilma, nesse sentido, se revestiu de grande significância, pois levou a mais uma derrota do projeto conservador. Essa vitória foi fruto, justamente, da unidade das forças de esquerda, que naquele momento interpretaram a realidade, entenderam o papel do consórcio oposicionista e responderam aos ataques. Agora, a situação não e diferente”, esclareceu Renato ao final de sua reflexão.


Ouça a íntegra da reflexão na Rádio Vermelho...

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