Com a crise instaurada no centro do capitalismo, a partir de 2008, os jovens saíram às ruas para manifestar-se contra as políticas de contenção de gastos que retiram direitos da juventude e dos trabalhadores. Com o lema “ocupar Wall Street, ocupar todos os dias”, os jovens estadunidenses reagiram à repressão e se mantiveram impassíveis em seus propósitos.
Na Europa a juventude tomou o espaço público para protestar contra as políticas de austeridade e retirada de direitos dos trabalhadores. As ruas de Paris, Madri, Atenas, Roma, Lisboa estiveram lotadas de jovens lutando pelo direito de ocupar as ruas. Nos países árabes também a juventude saiu às ruas para mudar regimes e derrubar ditaduras, entre outras reivindicações.
Antenados com o mundo e com vontade de avançar e sair dos espaços impessoais da internet, os jovens brasileiros mostram a que vieram e seguem a poesia de Castro Alves que diz que “a praça é do povo”. Contrariando a política do medo, saem às ruas sem medo da felicidade.
Com o fim da ditadura em 1985, a proposta da “segurança doméstica” prevaleceu ainda por bom tempo devido à insegurança das ruas nas grandes cidades tomadas pela violência. Mas com o passar dos anos e o fortalecimento da democracia tem espantado o medo e a juventude brasileira começa a retomar a rua como espaço público em um ato político para mostrar a sua vontade de ter acesso à cultura, lazer, informação e de ter a possibilidade de conhecer pessoas para criar novos relacionamentos e trocar de idéias e afetos.Nem sempre foi fácil. Em 2010 o ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD) criou o Programa do Silêncio Urbano, restringindo a possibilidade de música nas ruas da cidade. Policiais reprimiram skatistas na Praça Roosevelt e o atual prefeito Fernando Haddad (PT) rechaçou a violência contra os jovens. Essa atitude de Haddad deu início ao debate sobre a ocupação dos espaços públicos na cidade de São Paulo. A proposta dos jovens re-humanizar as suas vias e praças para fortalecer a coexistência entre os gêneros e transformar a cidade em espaço convidativo para todos. a”.
Além de voltar às ruas, a juventude preocupa-se com a mobilidade urbana. Porque para participar de eventos precisam locomover-se e o preço das passagens do transporte coletivo está o olho da cara.
Em abril, jovens porto-alegrenses tomaram as ruas para protestar contra o aumento de passagens de ônibus. Que havia ido de R$ 2,85 para R$ 3,05 e conseguiram uma liminar da justiça barrando o aumento. Em São Paulo, a prefeitura promete transporte 24 horas. Outra questão importante refere-se à criação de ciclovias pra facilitar a mobilidade. Existe um projeto de lei na Câmara dos Deputados que determina que todas as cidades acima de 50 mil habitantes tenham ciclovias. Ainda em São Paulo, a administração inclui as bicicletas no bilhete único, com possibilidade de aluguel de bicicletas pelo período de validade do bilhete no centro da cidade.
A juventude mostra que não agüenta mais tanta repressão e grita com todos os poros, toda sua irreverência, sua alegria e sua vontade de mudar o mundo. A ocupação dos espaços públicos é mais forma de se contrapor ao capitalismo opressor e excludente que privilegia poucos e impede a manifestação pública da liberdade.
Fonte: Portal UJS
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