Postado por Dedé Rodrigues.
A plenária final do 13º Congresso Nacional do Partido
Comunista do Brasil (PCdoB), realizada no Anhembi, em São Paulo, neste sábado
(16), aprovou, por unanimidade, dois Projetos de Resolução.
Leia a íntegra dos dois projetos:
Os delegados e delegadas presentes à plenária final do 13º
Congresso Nacional do Partido Comunista do Brasil, realizado no Anhembi, em São
Paulo, nos dias 14, 15 e 16 de novembro de 2013, aprovaram, por unanimidade, os
seguintes Projetos de Resolução:
O 13º Congresso ressalta o alto valor, para a ação política
e construção do Partido, do documento final das Teses que, depois de
enriquecidas pelo coletivo militante, foram aprovadas pelo Comitê Central. Com
base nelas, o 13º Congresso aprova dois Projetos de Resolução que irão ser a fonte
orientadora tanto dos grandes embates políticos, que o Partido está desafiado a
empreender no quadriênio que segue, quanto para a expansão e o fortalecimento
de sua edificação.
PROJETO DE RESOLUÇÃO 1
Batalhar pelas reformas estruturais, fortalecer o Partido,
assegurar a quarta vitória do povo!
Transcorridos dez anos de governos das forças democráticas e
populares – compreendidos por dois mandatos presidenciais de Luiz Inácio Lula
da Silva e pelo corrente mandato da presidenta Dilma Rousseff –, se ressalta um
duplo êxito. Primeiro, o país enfrentou com eficácia a grave crise social e
econômica decorrente do pesado e perverso espólio herdado da década de barbárie
neoliberal (1990-2002). Segundo, com o elenco de realizações desse período –
mesmo que limitadas e condicionadas por um permanente ataque de um sistema de
oposição formado pelas forças conservadoras, pró-imperialistas e vinculadas à
oligarquia financeira e à grande mídia –, o Brasil, hoje, é outro país.
Levantou-se do chão, é respeitado no concerto das nações democráticas e o povo
brasileiro vive melhor. As forças políticas progressistas alicerçadas neste
legado, e aperfeiçoando o caminho pelo qual o país trilha, podem renovar o
compromisso com os trabalhadores e com a Nação de que desde já, e no futuro
imediato, o país usufruirá de conquistas mais arrojadas.
I- As grandes realizações, as principais limitações e o
caráter do governo
Na visão do Programa do PCdoB, a dinâmica de lutas por
reformas estruturais democráticas e rupturas, constituintes de um Novo Projeto
Nacional de Desenvolvimento, proporcionará uma acumulação crescente de forças
ao campo político de esquerda, revolucionário – o que, na singularidade e
contemporaneidade do país, descortina o caminho brasileiro para o socialismo.
Desse modo, os comunistas destacam no balanço do decênio as conquistas mais
relevantes na direção desse Novo Projeto Nacional, bem como, noutro polo, as
mudanças que não foram realizadas, obstruídas ou mitigadas por limites de
direção política e efeitos do acirrado confronto entre os campos em disputa.
Nesta década se destacam quatro grandes realizações, ainda
em movimento e em construção, mas delineadoras de um novo tipo de
desenvolvimento que vai fortalecendo o país com o resgate do papel do Estado,
afirmação da soberania nacional, ampliação da democracia e crescimento
econômico com progresso social. Estas conquistas ocorrem no âmbito de uma
transição, ainda em curso, marcada pela luta entre o neoliberalismo que
persiste e o novo desenvolvimento nacional que emerge.
O governo progressista instaurou-se no âmbito de um Estado
conservador, hostil ao povo, e ao qual o neoliberalismo havia depenado e
garroteado para servir aos interesses da oligarquia financeira. Impôs-se,
então, o esforço para recompor o Estado como condutor do desenvolvimento e da
afirmação da soberania nacional. Nesta direção, inovadoramente, se procura
associar a questão democrática à questão social, materializada na concepção de
que distribuição de renda e erradicação da pobreza são motores do desenvolvimento
econômico. A política externa é vitoriosa em contribuir para várias dimensões
do Novo Projeto Nacional e, ao mesmo tempo, para o impulso da integração
continental e de uma nova correlação de forças no plano internacional,
defendendo a paz, a soberania e o desenvolvimento para todos os povos.
A democracia voltou a florescer, a partir da diretriz do
novo governo de respeitar e valorizar as manifestações do povo e dos
trabalhadores fortalecendo suas entidades, estabelecendo o diálogo e a negociação
como base para as relações entre o governo e os movimentos sociais. Direitos
foram ampliados, e as centrais sindicais legalizadas. Conferências nacionais e
fóruns de discussão sobre os mais variados temas mobilizaram milhões de
pessoas. Secretarias especiais ou programas foram implantados para promover os
direitos humanos e estimular uma sociedade solidária, sem preconceitos.
A democracia se ampliou, também, com as políticas e os
programas para reduzir as desigualdades sociais e regionais, e erradicar a fome
e a extrema pobreza. O aumento real de 65,96% (2002-2012) no salário mínimo, os
programas sociais de transferência de renda, a geração de mais de 20 milhões de
empregos e os investimentos diferenciados para regiões menos desenvolvidas, no
seu conjunto, resultaram em significativa mobilidade social, no início da
diminuição das diferenças regionais, e em êxitos na valorização do trabalho. E
o destaque é a grande vitória advinda do Programa Bolsa Família: mais de 36
milhões de pessoas foram retiradas, e se mantêm fora, da condição de extrema
pobreza.
Em contraposição, as condições impostas pela correlação de
forças levaram à formação de coalizões amplas e heterogêneas, necessárias à
estabilidade do governo, mas limitadoras de maior avanço da aplicação da
plataforma programática. Ao lado disso, a permanente pressão da oposição
conservadora para bloquear as mudanças e a insuficiente mobilização popular
limitaram o ritmo da democratização do Estado nacional e obstruíram a
realização das reformas estruturais democráticas.
Finalmente, destaca-se que o cômputo geral desse período
revela um caráter de governo marcado pelo compromisso com a democracia, a
soberania nacional e os direitos do povo. Este caráter se comprova não só pelas
realizações, mas também pelo fato de que os trabalhadores e o povo pobre são o
alicerce de uma base social ampla que tem garantido as vitórias eleitorais
indispensáveis à duração desse ciclo político.
II- A intervenção política e a edificação do PCdoB
O 13º Congresso julga relevantes as contribuições do PCdoB
ao ciclo político do último decênio e o labor de sua edificação no período. O
PCdoB enfrentou o desafio de, pela primeira vez em sua longa história, exercer
responsabilidades no governo da República.
Apoio, independência e luta pelo Novo Projeto Nacional
O Partido apoiou o governo, impulsionou-o a empreender as
mudanças e o defendeu da ação desestabilizadora das forças conservadoras.
Simultaneamente, preservou sua independência, negou o seguidismo ao governo e,
sem romper a unidade com a coalizão, combateu pontos que considerou desvios do
programa da coalizão, como por exemplo, a política de juros altos e demais
elementos da política macroeconômica de caráter neoliberal. O Partido também
lutou pela elevação do papel político da esquerda na coalizão. O 13º Congresso
considera que, com esta linha política, os comunistas dinamizaram sua
intervenção na luta de classes e na vida política e social do país, dentro e
fora do governo, pela realização das bandeiras do Novo Projeto Nacional de
Desenvolvimento. E conseguiram levar o PCdoB a ocupar um lugar próprio na
política brasileira, como partido de esquerda, revolucionário, que luta
orientado pelo seu Programa Socialista.
Aplicação crescente das três frentes de acumulação de forças
Na luta política, o PCdoB soube interpretar a importância
nova adquirida pelas eleições que, no Brasil e num conjunto de países da
América Latina, se tornaram o desaguadouro dos confrontos de campos políticos e
sociais antagônicos e representaram um canal capaz de conduzir forças
progressistas a importantes espaços de poder. Esta conclusão levou os
comunistas a assumirem em toda a sua plenitude e em todas as suas dimensões a
frente institucional-eleitoral para a conquista de crescente representação nos
parlamentos, ampliação do exercício de responsabilidades nas distintas esferas
de governo e, disputando para valer, prefeituras e mesmo governos estaduais, no
esforço de conjugá-las com a luta social e a luta de ideias, a serviço da
acumulação estratégica de forças. O aumento da influência e da força eleitoral
do Partido é fator tático e estratégico decisivo para o êxito desta acumulação.
Na luta social defendeu, desde a primeira hora, a autonomia
dos movimentos em relação ao governo; e a construção da unidade a partir da
ação política pelo avanço do projeto nacional e em torno de bandeiras capazes
de promover mobilizações de diferentes portes. Isso propiciou importantes
manifestações unitárias que denunciaram o golpe pretendido contra o presidente
Lula em 2005-2006, e forjou a unidade das entidades dos trabalhadores – como
foi a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), em 2010 – para
instar o governo a avançar nas mudanças. Em 2007, o Partido apoiou juntamente
com outras forças progressistas a criação da Central dos Trabalhadores e
Trabalhadoras do Brasil, CTB, uma central plural e classista, que desempenha
papel de relevo na unidade e mobilização dos trabalhadores. A concepção da luta
das massas como força motriz dos processos de mudança situou corretamente o
Partido e ajudou a esquerda como um todo nas jornadas de junho de 2013. Ante
uma explosão social massiva, por reivindicações sociais diversas, sem comando
explícito, o Partido participou e, em conjunto com outros setores da esquerda,
travou uma luta pelo sentido e a direção dessa jornada, uma vez que a grande
mídia atuou para voltá-la contra a presidenta Dilma Rousseff. A presidenta
Dilma agiu como chefe de um governo que nasceu das lutas do povo, e desencadeou
uma agenda de respostas a grandes anseios das massas referentes à saúde, ao
transporte coletivo, à educação pública e à reforma política.
Na luta de ideias, o Partido é um ativo formulador de
proposições e plataformas para avançar nas mudanças, desenvolvendo conteúdos e
apontando os meios para viabilizar as reformas e as bandeiras do Novo Projeto
Nacional. Empreende um continuado estudo sobre a grande crise global do
capitalismo, sua dinâmica, consequências e tendências. Promoveu uma
sistematização da trajetória de 90 anos da fundação do Partido Comunista do
Brasil, revalorizando a trajetória completa da legenda dos comunistas desde
1922, bem como o papel das quatro gerações que a edificaram e o de suas
lideranças.
Expansão das fileiras e afirmação da identidade comunista
O 13º Congresso considera que foram bem aproveitadas as
condições favoráveis deste decênio para impulsionar uma profícua edificação do
Partido e promover uma crescente presença nas lutas junto às massas populares,
aos trabalhadores, às mulheres, à juventude e aos setores progressistas da
intelectualidade. O PCdoB sentiu-se preparado para abrir suas portas e expandir
as fileiras militantes, como canal para a atuação política e social de forças
avançadas da vida social, política e cultural do país. Foi, no decênio, um dos
partidos que mais cresceu organizativa e eleitoralmente, com mais de 340 mil
filiados e 110 mil militantes comprometidos com a luta programática e a
construção partidária, estruturado em 2.300 cidades nos 26 estados e no Distrito
Federal, com vereadores em um milhar de municípios, deputados por 15 estados e
60 prefeituras. Tem uma Escola Nacional em atividade permanente, instituições
perenes de elaboração teórica e órgãos de comunicação expressivos.
Assim procedeu sem abdicar de nada do que foi e é. O PCdoB,
ao mesmo tempo, reafirmou a identidade comunista e sua base teórica, o
marxismo-leninismo, renovou a missão e feições para a época contemporânea. Não
sucumbiu às pressões ideológicas predominantes, descaracterizadoras dos ideais
revolucionários, hostis aos comunistas e às forças de esquerda. Exatamente por
isso, e por ter elevado seu papel político, tem sido alvo dos duros ataques que
as forças conservadoras e a grande mídia desferem contra a esquerda. No âmbito
da nova luta pelo socialismo, pautou desenvolvimentos originais do
marxismo-leninismo a partir dos enfrentamentos de grandes problemas da
contemporaneidade. Tem um Programa Socialista que é guia para a ação política
cotidiana. Tem Estatutos que norteiam a edificação partidária, uma política
decidida para conduzir a rica estrutura de quadros partidários, garantia maior
de sua existência, e uma vida interna como partido essencialmente democrático,
unido em torno das orientações coletivamente deliberadas, de caráter militante
organizado pela base. É um partido de atividade permanente, não apenas nos anos
eleitorais. Buscou conjugar essas características em sua linha política e de
construção partidária como um movimento cujo objetivo é a acumulação
estratégica de forças visando à hegemonia.
III- A perspectiva: nova arrancada com a realização das
reformas democráticas
O 13º Congr esso apresenta ao povo e à coalizão que sustenta
o governo, em especial às forças políticas de esquerda e aos movimentos
sociais, a convicção de que a tarefa política central do momento é a de
mobilização de apoio para que o governo realize as mudanças que a Nação reclama
por meio das reformas estruturais democráticas, tendo como ideia-força um Novo
Projeto Nacional de Desenvolvimento.
As significativas conquistas em termos de desenvolvimento,
distribuição e transferência de renda de uma década não foram suficientes para
democratizar o Estado e remover outros obstáculos estruturais políticos,
sociais e econômicos herdados em séculos de história – em consequência, o
Brasil persiste como um país desigual e injusto. Isto gera tensões sociais
permanentes. Assim, impõe-se como inadiável destravar e acelerar as mudanças.
A oposição, embora tenha o poderio da grande mídia, segue
dividida e sem alternativa programática, posto que seu receituário fracassou no
Brasil e no mundo. As grandes manifestações da juventude do mês de junho soaram
como um sinal de alerta de que as conquistas uma vez iniciadas precisam
avançar. A presidenta Dilma Rousseff tem se empenhado nesta direção. No plano
externo, a crise prolongada do capitalismo, contraditoriamente, abre uma
oportunidade para países como o Brasil seguirem um caminho próprio. Trata-se,
portanto, de uma oportunidade histórica rara que não pode ser desperdiçada. O
PCdoB defende, então, para o período atual, uma nova arrancada por mais
democracia, mais desenvolvimento e progresso social.
Protagonismo da esquerda, ampla unidade do povo
Mas esta arrancada não se dará pela força da inércia,
demandará grandes embates políticos para vencer o sistema de oposição que já
atua para bloqueá-la. Desse modo, para que esta arrancada se desencadeie ganha
importância e atualidade a construção de um campo político e social formado por
todos quantos tenham afinidade com as bandeiras da esquerda: partidos
políticos, correntes políticas, lideranças, movimentos sociais, centrais de
trabalhadores, personalidades de diversos setores da sociedade.
A experiência demonstrou que as coalizões amplas e
heterogêneas, decorrentes de uma realidade pluripartidária diversificada, são
necessárias tanto às vitórias eleitorais quanto à governabilidade. Portanto, a
proposta de coesionar um campo de afinidade de esquerda não nega as coalizões,
mas ressalta que, sem um bloco que represente a unidade popular, com as ideias
e o impulso transformador das forças avançadas, essa aliança corretamente ampla
não tem direcionamento consequente – além do que, setores que dela fazem parte
atuam para frear as mudanças.
Programa e bandeiras: mais desenvolvimento, democracia e
progresso social
O 13º Congresso propõe, para a constituição desse bloco
político e social de esquerda, referências para um programa comum imediato –
questões necessárias para o fortalecimento e a modernização do Estado nacional,
para um maior avanço democrático e para uma estratégia de crescimento que
garantam desenvolvimento duradouro, robusto e acelerado, capaz de garantir
conquistas ainda maiores na esfera social, na superação das desigualdades
regionais e na afirmação da soberania nacional. Nesse sentido, tomam
especificidade atual, entre outras questões, capazes de mobilizar e organizar
politicamente o povo brasileiro: a reforma política democrática com financiamento
público e voto em listas; a democratização dos meios de comunicação e do Poder
Judiciário; a reforma tributária progressiva; a atualização e realização da
reforma agrária; a política cambial e monetária voltada para a elevação das
taxas de investimento e o pleno desenvolvimento econômico, assegurando proteção
do meio ambiente, um dos elementos estruturantes do Novo Projeto Nacional;
defesa da Amazônia e de seu desenvolvimento sustentável; medidas para expandir
e acelerar a edificação da infraestrutura e a produção energética, em especial
a estratégica exploração do pré-sal. Ampliar os investimentos em ciência,
tecnologia e inovação para aumentar a competitividade da empresa brasileira,
com prioridade para a produção de conteúdo nacional. Quanto às bandeiras
candentes entre os trabalhadores e o movimento social, se destacam, entre
outras: universalização com qualidade dos serviços públicos e controle social;
valorização do trabalho; jornada de 40 horas semanais, sem redução do salário;
e revogação do fator previdenciário. Avançar na construção de uma sociedade
solidária e sem preconceitos, com mais conquistas para as mulheres rumo à sua
emancipação, e combate à violência praticada contra elas; promoção da igualdade
social para os negros e luta contra o racismo; defesa dos direitos das etnias
indígenas; pelo combate às opressões e discriminações que desrespeitem a
liberdade religiosa e a livre orientação sexual. A elas se agregam as
reivindicações que foram reforçadas pelas manifestações de junho: pautas que se
referem à mobilidade urbana e à inadiável Reforma Urbana que deem resposta ao
agravamento das condições de vida nas cidades – com destaque para o transporte
público de qualidade e eficiente; 10% do PIB para a educação, já a caminho, com
a importante lei em vigor que destina ao setor 75% dos royalties do petróleo;
10% das receitas correntes brutas da União para a saúde, que pela mesma lei já
citada receberá 25% dos royalties do petróleo, mas que precisa de maiores
investimentos. Apoio ao Programa Mais Médicos, medida emergencial para o
enfrentamento de graves problemas da saúde pública; valorizar o conjunto dos
servidores públicos, inclusive com planos de carreiras estruturados; e apoio ao
programa Minha Casa Minha Vida, de destacado impacto econômico e social.
IV- Perspectivas e tarefas atuais da edificação partidária
A construção política e o desafio de fortalecer a têmpera
ideológica
O 13º Congresso considera que o nível atual da luta política
e os desafios dos brasileiros exigem um PCdoB à escala de várias centenas de
milhares de militantes organizados. A construção política partidária precisa se
assentar na visão estratégica do Programa Socialista, com sagacidade política
para encontrar em cada situação aquilo que define a posição e o lugar políticos
do PCdoB, para alcançar hegemonia na sociedade, fortalecer-se como partido de
ação política de massas e eleitoralmente.
A linha política do PCdoB precisa ser integralmente
combinada à linha de construção partidária – postas uma a serviço da outra, como
fundações em que se assentam as formas de luta para a acumulação estratégica de
forças. A luta eleitoral e a participação institucional, a luta de massas e a
ligação com o povo, a capacidade de aglutinar forças em torno de ideias
avançadas constituem um todo inseparável, reforçam-se mutuamente. Disso
derivará a capacidade maior para, de fato, representar a classe trabalhadora,
constituir redutos sociais e políticos fortes de apoio de massas e eleitoral
capazes de fortalecer a legenda comunista.
Essa construção e a linha política exigem reavivar a têmpera
ideológica na vida do Partido. A construção partidária, no tempo presente, se
dá em meio a grandes vicissitudes objetivas, num ambiente de defensiva
ideológica que cria enorme pressão contra os ideais transformadores e de
amoldamento à ideologia dominante. Envolve, portanto, sentido de missão
política e histórica. O Congresso saúda o espírito vigilante manifestado pela
militância nos debates congressuais, e quer aproveitá-lo para fortalecer o
PCdoB, sem se perder por estreitamento de horizontes, interesses
individualistas ou corporativistas, liberais ou dogmáticos, desvios da linha ou
da identidade do PCdoB.
Fortalecer as bases e os comitês partidários, por meio da
Política de Quadros
Aos militantes comunistas, o 13º Congresso dirige uma
mensagem calorosa de esperança. O PCdoB necessita de que cada uma e cada um dos
militantes valorizem sempre mais a diretiva de se organizarem para ativar a
luta popular. É uma necessidade política fortalecer a inserção dos comunistas
na vida e na luta dos trabalhadores e do povo. A mensagem do 7º Encontro
Nacional (2011) “Por um Partido do tamanho de nossas ideias” é central: sem
militância organizada a ação do PCdoB perde eficácia.
Aos integrantes dos comitês dos 2.300 municípios de todos os
estados do país e áreas do Distrito Federal em que atua o PCdoB, o 13º
Congresso reafirma: aí residem os elos decisivos para ligar as orientações
partidárias aos militantes e ao povo e estruturar o Partido pelas bases
organizadas. Cada um e cada uma devem se orgulhar de ser dirigentes do PCdoB;
ousarem alcançar representatividade política e social nessa condição;
educarem-se como dirigentes para consolidar direções partidárias com sólida
formação marxista-leninista; e autoqualificarem-se como quadros políticos. Com
abnegação, precisam dedicar tempo e energias ao trabalho de condução da vida
partidária e, com apoio dos Comitês Estaduais e Municipais, organizar a vida
militante de base, educando-a para a ação política de massas e construção
partidária.
O 13º Congresso está seguro de que a Política de Quadros é a
chave para as vitórias partidárias e deve se transformar no centro da direção
organizativa do Partido. Nas tribunas e nos governos, na luta social, na
ciência e cultura, também nas carreiras de Estado ou funções técnicas, na
estrutura orgânica de direção partidária, ou fora dela, onde quer que seja, a
garantia maior da perspectiva política, ideológica e organizativa partidária,
do caráter e missão do PCdoB, é a coluna de quadros, compromissada e coesa com
a causa partidária. Devem liderar todo o Partido no país, não apenas na
orientação política como também, e cada vez mais, na linha de construção
partidária.
Ao Comitê Central eleito, o 13º Congresso indica as tarefas
de impulsionar cada vez mais a intervenção política, a luta de massas, a
ousadia eleitoral, o empenho em pôr as participações institucionais em
consonância com o projeto partidário; fortalecer, no plano ideológico, o
trabalho da Escola Nacional na formação teórica e ideológica dos efetivos
partidários; estimular os estudos individuais e o desenvolvimento dos temas do
Programa Socialista e a maior capacidade de difusão do pensamento do PCdoB; no
plano organizativo, o centro é a política de quadros. É preciso também
fortalecer a capacidade da direção nacional no controle político-organizativo
do Partido em todo o país, e a luta por conferir-lhe maior vida militante
organizada desde a base, em condições mais permanentes.
V- Assegurar a quarta vitória do povo
O 13º Congresso do PCdoB, em relação à sucessão presidencial
de 2014, apresenta aos trabalhadores e à Nação, às forças democráticas,
patrióticas e populares, suas convicções e escolhas. É preciso enxergar com
nitidez que o país se defronta, novamente, a uma encruzilhada política. Ou o
Brasil prossegue no caminho aberto pelas forças progressistas, em 2003, do
desenvolvimento econômico e do progresso social, da ampliação da democracia e
da afirmação da soberania, ou retrocederá sob o comando das forças
conservadoras, instrumentos da oligarquia financeira, avessas à Nação e hostis
ao povo. Estes dois polos antagônicos adotam concepções e compromissos díspares
sobre a perspectiva para o país: soberania ou subserviência; democracia ou
desprezo e autoritarismo contra os trabalhadores; desenvolvimento com
distribuição de renda ou a economia e a riqueza nacional canalizadas à ganância
dos especuladores e ao luxo da elite abastada. Estes dois campos diametralmente
opostos, independentemente de alternativas de outro teor que possam disputar,
irão reger a sucessão presidencial.
Para o PCdoB, as opções em disputa têm sentido estratégico
na concretização do magno objetivo das forças avançadas: a conquista de um país
desenvolvido e soberano, integrado com seus vizinhos sul e latino-americanos,
democrático, com progresso social, o caminho para um rumo socialista. Por isto,
o 13º Congresso proclama que o PCdoB não titubeia, tem campo e rumo definidos.
Atuará com todas as suas energias na sucessão presidencial de 2014, para que o
povo obtenha a quarta vitória consecutiva, desta feita embandeirada pela
realização destemida das reformas democráticas estruturais, assegurando,
efetivamente, não só a continuidade, mas o aprofundamento do ciclo progressista
iniciado em 2003. Para isso, o PCdoB conclama o elenco das forças políticas e
sociais democráticas e progressistas a se movimentar para conquistar este
objetivo e barrar o retrocesso. Simultaneamente, todo o Partido deve se
empenhar, desde já, para elevar sua representação parlamentar e conquistar
governos estaduais. Uma expressiva vitória eleitoral dos comunistas em 2014
fortalecerá o papel da esquerda para impulsionar os avanços que o povo
brasileiro exige.
PROJETO DE RESOLUÇÃO 2
Promover a resistência anti-imperialista, as mudanças na
América Latina e a nova luta pelo socialismo!
O 13º Congresso do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)
reafirma o caráter internacionalista e anti-imperialista da ação do Partido. O
PCdoB assume as lutas dos trabalhadores e dos povos em todo o mundo, no quadro
de uma situação complexa fortemente condicionada pela crise sistêmica e
estrutural do capitalismo. Desde 2007 essa crise ganha contornos mais graves
nos EUA, e assume dimensão maior e global a partir de 2008, acentuando o
poderio da oligarquia financeira, os traços de decadência histórica do
capitalismo, de declínio relativo do poderio imperialista estadunidense, e
regressão da civilização burguesa, notadamente nos chamados países capitalistas
centrais. Vivemos ainda sob o predomínio de um quadro mundial no qual as forças
revolucionárias e progressistas encontram-se em situação de defensiva
estratégica. O capitalismo não é capaz de assegurar, para os povos,
desenvolvimento econômico, progresso social, democracia, soberania nacional,
paz, e sustentabilidade ambiental. Desnudam-se, na crise, as contradições
cruciais do capitalismo. Ameaças e retrocessos golpeiam as liberdades, os
direitos, a paz e a soberania dos povos. A crise atual mostra a falência do
neoliberalismo, que elevou o nível de desigualdade social, conteve o avanço
econômico dos países em desenvolvimento e levou os países capitalistas mais
desenvolvidos à recessão e à estagnação. Mas, os Estados imperialistas, sob a
tutela do grande capital monopolista, não abrem mão da orientação política
neoliberal e, para garanti-la, violam a soberania nacional e asfixiam a
democracia em muitos países. Diante da crise atual, a alternativa socialista
nunca foi tão necessária.
Resistir aos efeitos da crise do capitalismo e acumular
forças, numa situação de defensiva estratégica
A crise do capitalismo acelera tendências que já vinham se
delineando na economia mundial, e demonstra que o parasitismo e a lei do
desenvolvimento desigual são traços fundamentais do imperialismo. O Leste e o
Sul Asiático se consolidam como um novo polo dinâmico da economia mundial,
integrado por sociedades de diferente caráter. Na década de 2000, a China, país
que constrói o socialismo, consolidou-se como o polo da crescente integração
industrial da Ásia e como a segunda maior economia do mundo, podendo ser a
primeira em 2016, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). Pode estar
começando a fase final de um ciclo de cinco séculos de dominação da Europa
Ocidental e dos EUA. Contrastando com a ascensão econômica e política da China,
a atual crise expõe as debilidades estruturais da economia dos Estados Unidos,
quer do ponto de vista da sua indústria manufatureira quer de seu sistema
monetário e bancário, ou ainda do seu mercado financeiro, além das crescentes
dificuldades na sua liderança política internacional, revelando a forma
relativa, complexa e gradual do declínio da superpotência imperialista que,
apesar de tudo, ainda detém a maior força econômica e, sobretudo, militar.
São os trabalhadores e os povos que pagam o mais elevado
preço pela crise. Os direitos sociais são sistematicamente golpeados, reduz-se
o poder de compra dos assalariados, deterioram-se os serviços públicos, aumenta
o desemprego. Intensifica-se a exploração dos trabalhadores. A marca de classe
da atual crise é a brutal exploração capitalista sobre o trabalho. A oligarquia
financeira e os governos que a ela servem no mundo buscam repassar todas as
suas consequências para os trabalhadores. A grande crise, longe de amainar,
espraiou-se especialmente nos países chamados centrais, numa enorme devastação
social, atingindo duramente as condições de vida dos povos desses países e
destruindo parcialmente forças produtivas. Na maioria dos países capitalistas
há uma violenta regressão social e perda de conquistas civilizacionais, em
vários aspectos. O quadro é de uma intensa luta de classes. Os trabalhadores
lutam e resistem à ofensiva sobre seus direitos e se somam às forças
progressistas nas lutas anticapitalistas e anti-imperialistas.
Reforçar a luta dos povos diante da crise que acelera a transição
no sistema de poder mundial, e leva a novos conflitos e guerras imperialistas
Está em curso uma prolongada transição, caracterizada por
alterações nas relações de poder no planeta. Há uma nova correlação de forças
em formação, e o mundo está passando por importantes transformações
geopolíticas, cuja marca principal é a ascensão da China e o declínio histórico
dos Estados Unidos. A tendência à multipolaridade manifesta-se em conjunto com
o acirramento de contradições, o agravamento de conflitos e a intensificação da
resistência e da luta dos povos. Surgem novos polos geopolíticos, como reflexo
da emergência de novos blocos econômicos. Para conter essa tendência objetiva a
uma nova correlação de forças global, amplia-se a ofensiva imperialista e neocolonialista
em todos os planos, inclusive o militar.
A situação internacional é marcada por crescentes
incertezas, instabilidade, conflitos e ameaças à paz, à independência das
nações e aos direitos dos povos. Está em curso uma brutal ofensiva do imperialismo,
o que se expressa através do militarismo, da ocorrência de uma série de guerras
de agressão, da operação de um sofisticado esquema global de espionagem e
inteligência, e de uma ostensiva ação no campo midiático e ideológico-cultural.
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) consolidou uma nova doutrina
para efetuar intervenções armadas em todo o mundo. Conceitos como “soberania
limitada” e “ataque preventivo”, e pretextos como o combate ao terrorismo, a
“responsabilidade de proteger” os direitos humanos, ou o estabelecimento da
democracia, têm sido utilizados para legitimar as operações de guerra dos EUA e
da Otan. Esta política é a principal ameaça à paz e é o principal fator da
instabilidade, dos desequilíbrios e das crises políticas, diplomáticas e
militares. Recentemente, a Otan protagonizou a guerra contra a Líbia e tem-se
tornado um instrumento para derrubar governos no Oriente Médio e no Norte da
África. Na Síria, trava-se uma batalha decisiva que demonstra o papel das
forças de resistência no mundo de hoje, e os limites crescentes à atuação
imperialista dos EUA e da Otan. A resistência à agressão contra a Síria expôs
um novo papel da Rússia na contraposição à hegemonia dos EUA. Na África, para
dar consecução a seus planos intervencionistas e de militarização, o
imperialismo fomentou também a criação do Comando Africano (Africom). Quanto à
América Latina, a superpotência pretende exercer o seu poderio bélico através
de bases militares e da 4ª Frota.
Os EUA, numa tentativa de estancar o declínio de sua
hegemonia, adotaram uma política imperialista que mescla a ação militar com a
diplomacia, abusando da retórica, buscaram novas tecnologias e fontes
energéticas, e lançaram uma nova doutrina estratégica e de defesa, com foco na
região da Ásia-Pacífico e na contenção da China. Há uma alteração do papel dos
EUA nas guerras imperialistas, em relação aos aliados da Otan, que passam a ter
um papel maior nas operações militares. Aumentam as contradições entre os
países imperialistas, tendo os EUA no centro, e os países em desenvolvimento da
Ásia, da África e da América Latina, especialmente os Brics (Brasil, Rússia,
Índia, China e África do Sul), que têm tomado iniciativas unitárias
contra-hegemônicas em vários terrenos. As contradições interimperialistas, em
função da crise do capitalismo, irrompem na forma de disputas comerciais,
cambiais, por áreas de influência e por fontes de recursos naturais, minerais e
energéticos. Essas contradições não têm derivado em confrontações militares
gerais e abertas entre as potências imperialistas, que alternam entre elas
importante colaboração, como na Otan, e também rivalidade.
Intensificar a solidariedade internacional e promover a luta
anti-imperialista
A luta anti-imperialista contemporânea se desenvolve tendo
por base a luta dos trabalhadores e dos povos, e também por meio da luta dos
países em maior ou menor contradição com as potências imperialistas, pela
independência nacional e pelo desenvolvimento econômico e social. Tal como
indica o Programa do PCdoB, no polo antagônico à ofensiva do imperialismo
cresce a luta dos povos e dos trabalhadores, acumulam-se fatores de mudanças
progressistas e revolucionárias, embora no âmbito de uma correlação de forças
no plano mundial ainda haja uma defensiva estratégica das forças
revolucionárias e progressistas, e uma hegemonia do campo
contrarrevolucionário.
O corrente processo histórico engendra avanços no
desenvolvimento da luta dos trabalhadores e dos povos em defesa dos seus direitos,
da democracia, do progresso social, da soberania nacional, da paz e do
socialismo. No entanto, as mudanças e as conquistas não virão espontaneamente,
elas serão fruto da resistência e da mobilização política e social, da luta em
múltiplos cenários e vertentes. Tais lutas já estão em curso, protagonizadas
por países em transição ao socialismo, por governos patrióticos e
progressistas, por partidos comunistas, revolucionários, de esquerda e
anti-imperialistas, por movimentos de libertação nacional e por movimentos
sociais. Nelas, se destaca o insubstituível papel das classes trabalhadoras,
dos estudantes e da juventude, das mulheres e da intelectualidade progressista.
São lutas as mais diversas, com greves, protestos e manifestações, rebeliões de
massas populares, movimentos de resistência às guerras imperialistas de
agressão e ocupação de países, e lutas de libertação nacional. No curso do
desenvolvimento dessas lutas, emerge e se fortalece a solidariedade
internacional. O internacionalismo e a solidariedade entre os povos estão
intrinsecamente ligados ao patriotismo. E, hoje, o conteúdo fundamental que
define a ação internacionalista é o anti-imperialismo. As lutas dos povos
articulam-se internacionalmente em encontros e múltiplos espaços de convergência.
Avançar nas mudanças e acelerar a integração
latino-americana e caribenha
Um dos polos mais dinâmicos desta luta hoje é a América
Latina, onde há processos políticos avançados, num ciclo de governos de
esquerda, patrióticos, progressistas e anti-imperialistas, aberto há 15 anos. O
povo brasileiro e suas forças avançadas, entre elas o PCdoB, têm grande
interesse no avanço desses processos políticos e governos de esquerda e
progressistas da região, fruto da tendência que vem predominando, mas que não é
irreversível. Esse avanço, no atual momento, diante do crescimento da
contraofensiva do imperialismo e das direitas locais, depende da renovação de
seus objetivos e desafios, da consolidação desses processos políticos e dos
governos de esquerda e progressistas, do aprofundamento das mudanças, e da
aceleração da integração regional.
Apoiar os países em transição ao socialismo e os processos
revolucionários da América Latina
Os países de regime socialista – na Ásia, China, Vietnã,
Laos e Coreia Popular e, na América Latina e Caribe, Cuba – têm tido um papel
de destaque nessa luta. O seu fortalecimento como nações soberanas, os esforços
que fazem os seus povos, sob a direção dos partidos comunistas dirigentes do
Estado, para viabilizar as estratégias nacionais de desenvolvimento e a
transição ao socialismo, as ações de cooperação internacional e em prol da paz,
têm o apoio e a solidariedade do PCdoB. Na fase atual, de nova luta pelo
socialismo, além dos regimes socialistas, há que se perceber e apoiar também as
novas potencialidades e os novos processos revolucionários que começam a
despertar e se desenvolvem, sobretudo na América Latina.
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